Golfinhos perto de Canasvieiras e Jurerê: quem são e como observá-los com respeito
Boto-cinza e golfinho-nariz-de-garrafa são vistos na Baía Norte e na costa da ilha. Veja o que a pesquisa mostra e como observá-los com respeito.
Por Equipe MagicXP10 min de leitura
Golfinhos na Baía Norte e ao redor da ilha
Há golfinhos na Baía Norte e ao redor da Ilha de Santa Catarina, e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) os estuda desde os anos 1990. Os estudos mostram algo mais específico do que a ideia de que basta olhar a orla de Canasvieiras ou Jurerê: o boto-cinza residente vive do lado do continente, e o golfinho-nariz-de-garrafa aparece na costa inteira da ilha, mas em grupos pequenos e com menos frequência dentro da baía.
Não encontramos pesquisa que conte avistagens feitas a partir dessas duas praias. Por isso o título diz perto de, e o texto separa o que foi medido do que ainda é lacuna.
Quem são os golfinhos da região
Um estudo de dez anos na Baía Norte registra só três espécies de pequenos cetáceos na baía: boto-cinza, golfinho-nariz-de-garrafa e toninha, esta vista apenas três vezes.
| Espécie | Como reconhecer | Onde e quando aparece | Situação de conservação |
|---|---|---|---|
| Boto-cinza (Sotalia guianensis) | Cinza-azulado, ventre mais claro, nadadeira dorsal triangular. Chega a 2,2 m. | Lado do continente da Baía Norte, o ano todo, em grupos grandes (média de 29). | Quase ameaçado na lista global (IUCN) e vulnerável na lista brasileira (MMA/ICMBio, 2022). |
| Golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) | Robusto, bico curto, dorso cinza-escuro. Mede de 2,4 a 3,8 m, bem maior que o boto-cinza. | Costa inteira da ilha, em todos os meses, em grupos pequenos (média de 5 na baía). | A subespécie costeira, o golfinho de Lahille, está em perigo na lista global (2025) e na brasileira (2022). |
| Toninha (Pontoporia blainvillei) | Pequena, cinza-pálido a pardo-amarelado, bico longo e fino. Evita barcos a motor. | Rara na baía: três avistagens em dez anos. | Vulnerável na lista global e criticamente em perigo no Brasil (2022). |
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O golfinho de Lahille é a subespécie costeira do sul do Brasil. Segundo a Convenção sobre Espécies Migratórias, é maior que o nariz-de-garrafa de mar aberto, com nadadeira dorsal menor e bico mais longo, e as duas formas ocupam áreas vizinhas no Brasil e no Uruguai. Os estudos citados aqui não separam subespécies, então não dá para saber qual forma foi vista. O mesmo documento resume estimativas do Projeto Gephyreus de 2019 a 2022, com margem de erro grande: entre 8 e 24 golfinhos de Lahille na Baía Norte, conforme o período, e cerca de 316 no sul do Brasil e no Uruguai.
Boto-cinza, o morador da baía
Os botos-cinza da Baía Norte estão no limite sul da distribuição da espécie. Entre 2000 e 2003, a UFSC contou ao menos 60 animais, número que os autores veem como subestimado. Eles usavam cerca de 50 km² do lado do continente e não foram vistos no setor leste da baía, o lado da ilha.
A área de uso do grupo foi de cerca de 8 km² na primavera e no verão e de cerca de 32 km² no inverno, quando o alimento parece mais escasso. A Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, criada em 1992 para proteger esses animais, abrange parte dessa área. O que as pesquisas registraram:
- Pesca: o comportamento mais frequente, sobre peixes como tainhas e manjubas, que o nariz-de-garrafa também caça.
- Deslocamento: a pesca diminui ao longo do dia e o deslocamento aumenta, e também aumenta nos meses frios.
- Grupos grandes: média de 29 animais, de 1 a 59, maiores de manhã.
Nariz-de-garrafa, o visitante da costa
Entre 1989 e 2005, pesquisadores da UFSC reuniram 71 grupos de nariz-de-garrafa em todos os meses do ano ao redor da ilha, em baías protegidas e praias expostas, 17 deles perto da arrebentação de praias de areia do lado leste. O grupo médio tinha cerca de 8 animais (o mais comum, 2), e os dados sugerem, segundo os autores, que a espécie é comum na costa da ilha. Fora dos barcos, as avistagens foram feitas em geral de pontos em terra, sem esforço sistemático, o que impede calcular uma frequência.
Dentro da baía, o quadro muda. Em 226 saídas de barco entre 1993 e 2002, o nariz-de-garrafa apareceu em 30, contra todas menos seis para o boto-cinza. Foram 36 avistagens, de 1 a 16 animais, e os autores o descrevem como menos frequente ali. Já nas praias da costa de mar aberto da ilha, dizem, ele foi visto com frequência em quase todas, sem nomear quais.
Quando e onde as chances são maiores
A pesquisa responde só em parte.
| Fator | O que os estudos mostram | Limite da evidência |
|---|---|---|
| Local | Boto-cinza: só no lado do continente. Nariz-de-garrafa: sobretudo no lado da ilha e na costa inteira. | Os artigos descrevem setores da baía, não praias, e não citam Canasvieiras nem Jurerê. |
| Estação do ano | Boto-cinza: todos os meses, com menos pesca e áreas maiores no frio. Nariz-de-garrafa: sem registro na baía em março, abril e outubro, sem diferença estatística entre estações. | Dados de 1993 a 2005 e só 36 avistagens do nariz-de-garrafa na baía. |
| Hora do dia | Boto-cinza: mais pesca e grupos maiores de manhã, mais deslocamento à tarde. | Avistagens do boto-cinza registradas entre 6h30 e 15h. |
| Maré | Não foi analisada para o boto-cinza. Os autores citam maré, vento e luz do dia como fatores possíveis. | Sem dado local: qualquer regra de maré seria palpite. |
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Cuidar da baía: o que ajuda os golfinhos
Por viver perto da costa, o boto-cinza depende de água limpa, de estuários preservados e de barcos que andam com atenção. O ICMBio cita a qualidade da água, a conservação dos estuários e o tráfego de barcos entre os fatores que importam para a espécie, e aponta que ela é muito sensível às redes de pesca justamente por essa proximidade da costa. Por isso as regras de observação abaixo valem tanto: distância, velocidade reduzida e nenhum lixo na água.
Como observar com respeito
A Lei 7.643/1987 protege os cetáceos nas águas brasileiras e proíbe a pesca ou qualquer molestamento intencional deles. Desde agosto de 2026, a Portaria Conjunta Ibama/ICMBio nº 4/2026 regula a observação e revogou as portarias 117/1996 e 24/2002. Lemos o texto no Diário Oficial da União de 11 de agosto de 2026 e em dois resumos. O texto fala em cetáceos, sem usar a palavra golfinho, e os resumos não concordam sobre eles. Segundo um blog, a Portaria Conjunta nº 6/2026 (setembro) acrescentou uma regra de 300 m para a terceira embarcação; não abrimos esse texto. Confirme antes de operar passeios. Em unidades de conservação valem também as regras do órgão gestor.
| Atividade | O que a norma estabelece |
|---|---|
| Barco a motor | Perto de golfinhos (odontocetos), abaixo de 5 nós até restabelecer 100 m de distância. Proibido perseguir, cercar ou encurralar. |
| Moto aquática e equipamento rebocado | 300 m de qualquer cetáceo. |
| Caiaque, prancha, kite e windsurf | 100 m. O texto cita pranchas e caiaques, sem nomear o SUP. |
| Nado e mergulho | 100 m de qualquer espécie de cetáceo. |
| Tempo de acompanhamento | Até 60 minutos por embarcação, 30 com filhotes. Parar se mãe e filhote se separarem; com filhotes, também se o comportamento mudar. |
| Drone | Limite de altitude de 100 m (classes 1 e 2) e 40 m (classe 3), lido pelos resumos como altura mínima, até 30 minutos sobre os mesmos animais. |
| Contato e lixo | Proibido tocar sem autorização e jogar detritos a menos de 300 m. |
- Na praia: a norma que lemos não trata de quem observa da areia. Olhe de longe, sem entrar na água para se aproximar.
- Na água: quem nada ou mergulha deve manter 100 m; de caiaque ou prancha, afaste-se em sentido oposto se os animais se aproximarem. Não persiga, não toque e não jogue nada na água.
- De barco, caiaque ou SUP: reduza a velocidade, mantenha a distância da tabela e pare a atividade se os animais mudarem de comportamento.
Se encontrar um animal que precisa de ajuda
Ligue para o 0800 642 3341, linha do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) para animais marinhos vivos, debilitados ou mortos. Em Florianópolis, a R3 Animal, que segundo a imprensa executa o monitoramento, tem contato pelo (48) 3018 2316.
- Mantenha distância: não se aproxime, não toque e não tente devolvê-lo ao mar, orienta o PMP-BS segundo a imprensa.
- Informe o local: avise rápido, pois a equipe diz que a rapidez faz diferença. Ao ligar, diga a praia, um ponto de referência e se o animal parece vivo (sugestão nossa, não do programa).
- Animal sem vida: comunique também: a necropsia ajuda a saber a causa da morte.
Se um golfinho pequeno estiver preso em uma rede, ligue e espere a equipe, sem tentar cortar a rede: as normas de desemaranhamento do ICMBio que localizamos tratam de grandes cetáceos e exigem autorização.
Em resumo
A região tem golfinhos por perto: o boto-cinza vive na baía o ano todo e o nariz-de-garrafa circula pela ilha inteira. Ver um da praia de Canasvieiras ou Jurerê depende do dia e do lugar, e nenhum estudo diz com que frequência isso acontece, então vale observar com calma e respeitar a distância.
Perguntas frequentes
Dá para ver golfinhos em Canasvieiras e Jurerê?
Sim, é possível: o boto-cinza e o golfinho-nariz-de-garrafa frequentam a baía e a costa da ilha. Depende do dia e do lugar, e nenhum estudo mede avistagens a partir dessas praias.
Quais golfinhos vivem na Baía Norte de Florianópolis?
Um estudo de dez anos registrou três espécies na baía: boto-cinza, golfinho-nariz-de-garrafa e toninha, esta vista só três vezes. O boto-cinza vive do lado do continente e o nariz-de-garrafa circula pela costa da ilha.
Qual é a melhor maré ou horário para ver golfinhos em Florianópolis?
Nos levantamentos de boto-cinza na baía, a pesca e os grupos maiores foram mais comuns de manhã, com avistagens registradas entre 6h30 e 15h. Para a maré, não há dado local.
Que distância manter dos golfinhos ao observar em Florianópolis?
Pela Portaria Conjunta Ibama/ICMBio nº 4/2026, quem nada ou mergulha deve manter 100 m de qualquer cetáceo, e moto aquática e equipamento rebocado, 300 m. Lemos a norma no Diário Oficial da União, mas ela pode ser alterada, então confirme a versão vigente antes de operar passeios.
O que fazer ao encontrar um golfinho que precisa de ajuda em Florianópolis?
Ligue para o 0800 642 3341, linha do PMP-BS, sem tocar no animal nem tentar devolvê-lo ao mar. Em Florianópolis, a R3 Animal, que segundo a imprensa executa o monitoramento, atende pelo (48) 3018 2316.
Fontes
- Flores e Fontoura (2006), Ecology of marine tucuxi and bottlenose dolphin in Baía Norte, LAJAM
- Wedekin et al. (2007), Seasonal variations in spatial usage by the estuarine dolphin Sotalia guianensis at its southern limit of distribution, Brazilian Journal of Biology
- Daura-Jorge et al. (2005), Seasonal and daily patterns of group size, cohesion and activity of Sotalia guianensis, Revista Brasileira de Zoologia
- Daura-Jorge, Wedekin e Simões-Lopes (2004), Variação sazonal na intensidade dos deslocamentos do boto-cinza na Baía Norte, Biotemas (UFSC)
- Wedekin et al. (2008), Notas sobre a distribuição, tamanho de grupo e comportamento de Tursiops truncatus na Ilha de Santa Catarina, Biota Neotropica
- Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), proposta de inclusão do golfinho de Lahille, COP14 (versão em espanhol)
- IUCN Cetacean Specialist Group, golfinho de Lahille passa a Em Perigo (outubro de 2025)
- IMMA, Coastal Waters of Santa Catarina, Paraná and São Paulo State (situação da toninha e do golfinho de Lahille)
- IMMA, Guanabara-Sepetiba (situação do boto-cinza nas listas da IUCN e do Brasil, fonte secundária)
- SeaLifeBase, Sotalia guianensis (categoria da IUCN)
- ICMBio, sumário executivo do Plano de Ação Nacional para os pequenos cetáceos
- ICMBio, sumário executivo do Plano de Ação Nacional para a toninha
- Wikipedia, Guiana dolphin (aparência do boto-cinza, fonte secundária)
- Lei nº 7.643, de 18 de dezembro de 1987 (cópia no FAOLEX)
- Portaria Conjunta Ibama/ICMBio nº 4, de 7 de agosto de 2026 (Diário Oficial da União de 11 de agosto de 2026, Seção 1 Extra B, página 8, Imprensa Nacional)
- Atlas Público, Ibama e ICMBio editam nova regra para observação de cetáceos (resumo de imprensa)
- Irlen Menezes, regra nova do Ibama e do ICMBio para filmar baleias com drone (resumo em blog)
- ICMBio, legislação sobre mamíferos aquáticos (inclui normas de desemaranhamento de grandes cetáceos)
- PMP-BS (Univali), linha 0800 para animais marinhos vivos, debilitados ou mortos
- R3 Animal, contato
- Banda B, orientações do PMP-BS à população diante de animal encalhado
- Levantamento original (outubro de 2026): literatura científica da UFSC, documentos do ICMBio e da IUCN e legislação federal
Texto publicado em outubro de 2026 a partir de fontes públicas: artigos científicos, documentos do ICMBio, da IUCN e da Convenção sobre Espécies Migratórias, legislação federal e imprensa regional. Os números de população e de frequência vêm de estudos de épocas e métodos diferentes e servem como ordem de grandeza. O texto da Portaria Conjunta nº 4/2026 foi lido no Diário Oficial da União; a informação sobre a nº 6/2026 vem de um blog.