Vida marinha em Florianópolis: baleias-francas, botos, tartarugas e manguezais
Quando e onde ver baleias-francas, quem vive na Baía Norte, o que Carijós e o Arvoredo protegem e como observar a fauna com cuidado.
Por Equipe MagicXP9 min de leitura
Uma ilha com baías calmas, mar aberto e muita vida
Florianópolis tem dois tipos de mar a poucos quilômetros um do outro: as baías, rasas e abrigadas, e o oceano aberto do lado leste e sul. Cada um recebe animais diferentes, de botos que vivem o ano todo na Baía Norte a baleias que passam a temporada de reprodução no litoral sul de Santa Catarina.
Este texto reúne o que fontes públicas permitem afirmar e avisa onde não encontramos dados. Confira as regras oficiais antes de ir.
Baleia-franca: temporada de julho a novembro
A Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca foi criada por decreto de 14 de setembro de 2000 e é administrada pelo ICMBio, com sede em Imbituba. A página oficial da unidade informa 154.867,40 hectares. Segundo a Wikipédia, a APA abrange nove municípios, entre eles Florianópolis, e tem como principal objetivo proteger a baleia-franca-austral e seus ambientes de reprodução.
A temporada vai de julho a novembro, com pico em setembro, segundo reportagem de julho de 2026. Neste ano os primeiros registros vieram em maio e o primeiro filhote apareceu em junho, em Itapirubá Norte, Imbituba. Os pontos mais citados para ver as baleias de terra ficam em Imbituba, Garopaba e Laguna, e tanto Imbituba quanto Garopaba estão a cerca de 90 km de Florianópolis, segundo a Wikipédia. Na própria ilha há registros pontuais, como o de uma mãe com filhote semialbino na Praia do Moçambique em 22 de julho de 2024.
Um retrato de dois dias: em 16 e 17 de setembro de 2024, um sobrevoo de monitoramento de Florianópolis a Cidreira, no Rio Grande do Sul, contou 216 baleias, entre elas 107 mães com filhote. É a contagem de um sobrevoo, não o tamanho da população. Segundo a reportagem de 2026, a espécie está em recuperação, que ainda não está consolidada, e uma fêmea costuma ter um filhote a cada três ou quatro anos, o que torna cada filhote especial.
Como observar sem atrapalhar
Na APA da Baleia Franca, a orientação divulgada em 2026 é observar de terra, de mirantes e costões. Os mirantes permitem acompanhar a temporada sem se aproximar dos animais. Se pensar em um passeio de barco, confirme antes com o ICMBio se ele está autorizado.
No resto do país, valem as regras nacionais. Em agosto de 2026 o Ibama e o ICMBio publicaram a Portaria Conjunta nº 4/2026, assinada em 7 de agosto e publicada no Diário Oficial da União em 11 de agosto, que revoga as Portarias Ibama 117/1996 e 24/2002. Segundo uma reportagem e um artigo de blog que citam o texto da portaria, os limites são estes:
- Barco a motor: 100 m de cachalotes, de baleias-de-barbatana (exceto a franca) e de orcas, sem aproximação em deriva.
- Baleia-franca: 160 m para embarcações com motor engrenado.
- Moto aquática, ROV e equipamento rebocado: 300 m de qualquer espécie.
- Remo, vela, surfe, nado e mergulho: 100 m.
- Tempo: 60 minutos de acompanhamento por embarcação, ou 30 minutos quando há fêmea com filhote.
- Drones: 100 m de altitude para aeronaves e drones das classes 1 e 2 da Anac, 40 m para a classe 3, e no máximo 30 minutos sobre os mesmos animais.
Atenção: uma reportagem de 5 de agosto de 2026, anterior à publicação da portaria, ainda cita as regras de 1996 (100 m e 30 minutos), e esse conteúdo antigo circula. Não lemos o texto no Diário Oficial, e unidades de conservação podem ter regras mais restritas.
Botos na Baía Norte
Duas espécies de golfinhos vivem na Baía Norte: o boto-cinza (Sotalia guianensis) e o boto-da-tainha (Tursiops truncatus). Um estudo de 2006, com dados de 1993 a 2002 e 226 saídas de barco, registrou 228 avistamentos de boto-cinza e 36 de boto-da-tainha. As duas espécies foram vistas o ano todo, mas em áreas diferentes: o boto-cinza só na parte oeste da baía, o boto-da-tainha mais na parte leste.
O boto-cinza usa um território pequeno. Em outro estudo, a área de vida média ficou entre 13 e 15 km², com núcleos de uso de menos de 2 km², em águas de cerca de 3 m de profundidade. Segundo 155 horas de observação, os botos viajam mais no frio e se alimentam mais no calor. Não encontramos contagem atual da população, e os estudos citados são de 2004 a 2007.
Manguezais de Carijós: refúgio de aves e função de berçário
A Estação Ecológica de Carijós foi criada em 20 de julho de 1987 e é gerida pelo ICMBio. Tem dois manguezais: Ratones, pela SC-402 no sentido de Jurerê, e Saco Grande, pela SC-401. São 619 hectares no decreto e cerca de 759 no mapa da unidade, segundo a Wikipédia.
Um levantamento de 2009 a 2012 atualizou a lista da estação, que tem 227 espécies conhecidas, 64% das registradas na Ilha de Santa Catarina e 32% das do estado. Seis constam como ameaçadas de extinção e cinco dependem muito de manguezal ou restinga, o que mostra o valor de proteger esse ambiente.
Manguezais são reconhecidos como berçários de peixes: um estudo de 2002 em recifes de ilhas do Caribe encontrou 11 de 17 espécies de peixes em maior densidade nos recifes de ilhas com manguezais ou ervas marinhas do que nos de ilhas sem eles. Não encontramos, porém, estudo que meça esse papel especificamente em Carijós, então tratamos como função geral dos manguezais.
Arvoredo: reserva protegida e mergulho no entorno
A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo foi criada pelo Decreto 99.142, de 12 de março de 1990. Reúne as ilhas Arvoredo, Galé e Deserta e o Calhau de São Pedro, ao norte da Ilha de Santa Catarina, com cerca de 17 mil hectares (a página do ICMBio informa 17.104,60 ha, e o decreto e a imprensa citam 17.600). É proteção integral, e a reserva não recebe visitação turística.
Desde 2000, por causa da lei do sistema de unidades de conservação, o mergulho recreativo ficou restrito ao sul da Ilha do Arvoredo, fora da reserva, com saídas de Florianópolis e de Bombinhas. Um projeto de lei, o PL 2.215/2022 (antes PL 4.198/2012), quer transformá-la em parque nacional e permitir turismo e mergulho, e o relator de 2021 na Câmara chamou a visitação de atividade de baixo impacto. Uma comissão do Senado debateu a mudança de status em 1º de julho de 2024, e a página do Senado, atualizada pela última vez em março de 2025, mostra o projeto em tramitação, com última ação em 2 de julho de 2024.
Tartarugas e pinguins
O Projeto Tamar mantém desde 2005 uma base na Barra da Lagoa, voltada a reduzir o impacto da pesca sobre as tartarugas. O centro de visitantes tem tanques com tartaruga-verde, cabeçuda, oliva e de-pente, e permite conhecer de perto as quatro espécies. Entre janeiro de 2016 e maio de 2021, a Prainha, cercada de costões com muitas algas, alimento importante da tartaruga-verde, reuniu 35 registros de tartarugas do projeto.
No inverno, pinguins-de-magalhães sobem da Patagônia argentina e aparecem em praias catarinenses, sobretudo jovens ainda inexperientes. Se encontrar um, não pegue o animal e avise a equipe de monitoramento PMP-BS/R3 Animal.
Resumo: quem vive aqui, quando e como ver
| Grupo | Época | Onde ver | Regra de observação |
|---|---|---|---|
| Baleia-franca-austral | Julho a novembro, pico em setembro | Mirantes de Imbituba, Garopaba e Laguna (Imbituba e Garopaba a cerca de 90 km); registros pontuais na Praia do Moçambique | Observar de terra. No mar, 160 m com motor, 300 m de moto aquática, até 60 minutos (30 com filhote) |
| Boto-cinza | O ano todo | Parte oeste da Baía Norte | Não confirmamos a distância para botos na norma de 2026. Sugestão nossa: 100 m, sem perseguir nem alimentar |
| Boto-da-tainha | O ano todo | Parte leste da Baía Norte | Mesma sugestão: 100 m, sem perseguir nem alimentar |
| Tartaruga-verde | Sem época confirmada; redes de praia de 1º de maio a 31 de julho | Prainha da Barra da Lagoa; centro de visitantes do Tamar | Não tocar nem perseguir. Animal debilitado: chamar a equipe de resgate (sugestão nossa) |
| Pinguim-de-magalhães | Inverno, com atenção até cerca de outubro | Praias catarinenses | Não pegar. Avisar a equipe de monitoramento PMP-BS/R3 Animal |
| Aves de Carijós | Sem dado por espécie | Manguezais de Ratones e de Saco Grande | Unidade de proteção integral: confirme com o ICMBio como visitar |
| Fauna do Arvoredo | Sem lista de espécies verificada | Mergulho recreativo ao sul da ilha, fora da reserva | Reserva de proteção integral: não recebe visitação turística |
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Perguntas frequentes
Quando é a temporada de baleia-franca perto de Florianópolis?
Vai de julho a novembro, com pico em setembro, segundo uma reportagem de julho de 2026. Os pontos mais citados para ver as baleias de terra ficam em Imbituba, Garopaba e Laguna, e há registros pontuais na própria ilha, como na Praia do Moçambique em 2024.
Qual é a melhor forma de ver baleias-francas perto de Florianópolis?
Segundo uma reportagem de 2026, a orientação na APA da Baleia Franca é observar de terra, de mirantes e costões, sem se aproximar dos animais. Se pensar em um passeio de barco, confirme antes com o ICMBio se ele está autorizado.
Que distância devo manter de uma baleia-franca perto de Florianópolis?
Segundo uma reportagem e um artigo de blog que citam a Portaria Conjunta nº 4/2026, são 160 m para embarcações com motor engrenado, 300 m para moto aquática e até 60 minutos de acompanhamento (30 quando há filhote). Não lemos o texto no Diário Oficial, e unidades de conservação podem ter regras mais restritas.
Quais golfinhos vivem na Baía Norte de Florianópolis?
O boto-cinza e o boto-da-tainha, vistos o ano todo em um estudo de 2006, em áreas diferentes: o boto-cinza na parte oeste da baía e o boto-da-tainha mais na parte leste. Não encontramos contagem atual da população.
Dá para visitar a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, ao norte de Florianópolis?
A reserva é de proteção integral e não recebe visitação turística, mas dá para mergulhar ao sul da Ilha do Arvoredo, fora da reserva, com saídas de Florianópolis e de Bombinhas. Um projeto de lei em tramitação quer transformá-la em parque nacional.
Fontes
- ICMBio, APA da Baleia Franca (decreto de 14/09/2000 e área de 154.867,40 ha)
- Wikipédia, Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (municípios e objetivo)
- Gazeta do Povo, temporada 2026 de baleias-francas em Santa Catarina (25/07/2026)
- NSC Total, sobrevoo registra mais de 200 mães e filhotes de baleia-franca entre SC e RS (20/09/2024)
- NSC Total, filhote de baleia semialbino na Praia do Moçambique (25/07/2024)
- Wikipédia, Imbituba (distância de Florianópolis)
- Wikipédia, Garopaba (distância de Florianópolis)
- Atlas Público, Ibama e ICMBio editam nova regra para observação de cetáceos (Portaria Conjunta 4/2026)
- Irlen Menezes, regra nova do Ibama e do ICMBio para drones e baleias (blog, 2026; cita os artigos da portaria)
- ES Hoje, turismo de avistamento de baleias tem regras (05/08/2026, antes da portaria, ainda cita as regras de 1996)
- Flores e Fontoura (2006), ecologia do boto-cinza e do boto-da-tainha na Baía Norte, Latin American Journal of Aquatic Mammals
- Flores e Bazzalo (2004), áreas de vida e movimentos do boto-cinza na Baía Norte, Latin American Journal of Aquatic Mammals
- Daura-Jorge et al. (2007), comportamento e movimento de Sotalia guianensis na Baía Norte, Revista Brasileira de Zoologia
- Wikipédia, Estação Ecológica de Carijós (criação, área e acessos)
- Vieira et al., Birds of Estação Ecológica de Carijós, southern Brazil, Check List
- Nagelkerken et al. (2002), a hipótese de berçário em manguezais e ervas marinhas, Marine Ecology Progress Series
- ICMBio, Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (área de 17.104,60 ha e decreto de 12/03/1990)
- Wikipédia, Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (decreto, ilhas, visitação e mergulho)
- Correio Braziliense, reserva marinha de 1990 e capital catarinense do mergulho (área de 17.600 ha)
- Agência Câmara, ilhas em Santa Catarina poderão ser reabertas à visitação pública (27/09/2012)
- Agência Câmara, comissão aprova transformação da Reserva Marinha do Arvoredo em parque nacional (18/05/2021)
- Agência Senado, CMA debate mudança de status da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (01/07/2024)
- Senado Federal, tramitação do PL 2.215/2022
- Projeto Tamar, centro de visitantes de Florianópolis (Barra da Lagoa)
- Projeto Tamar, pescando tainhas e conservando as tartarugas marinhas em Santa Catarina (31/05/2021)
- Noticias Ambientales, pinguins-de-magalhães em Florianópolis (21/08/2025)
- Levantamento original (outubro de 2026): páginas oficiais do ICMBio e do Senado, artigos científicos e imprensa regional
Texto publicado em outubro de 2026 a partir de fontes públicas: páginas oficiais do ICMBio, do Projeto Tamar e do Senado, artigos científicos e reportagens. As regras de observação de baleias vêm de uma reportagem e de um artigo de blog sobre uma portaria de agosto de 2026 e devem ser confirmadas no Diário Oficial. Os números de contagens são retratos de um sobrevoo ou de um período e servem como ordem de grandeza.